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Todo empreendedor deve saber que uma empresa que utiliza boas práticas de gestão ambiental e sustentabilidade terá sucesso em suas vendas. Afinal, estas, além de agregarem valor ao produto, também reduzem os custos de produção.

Como isso pode ajudar na sua produção de cachaça?

A Cachaça Gestor preparou uma lista com 10 passos para ajudar nosso leitor a elevar a qualidade de sua produção de cachaça de maneira prática e boa ao meio ambiente. Vamos lá:

  1. O Vinhoto e o meio ambiente:

vinhoto

Existem vários estudos que comprovam a eficiência do vinhoto da cachaça na produtividade agrícola, uma vez que ele pode ser aproveitado como adubo. Composto por nutrientes como cálcio e potássio, ele pode, inclusive, melhorar as condições físicas do solo. Mas lembre-se, como o vinhoto é um resíduo poluente, se usado de forma errada, pode causar impactos ambientais negativos ao solo. Por isso, vale recorrer à Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental para saber quais são os critérios e normas que a dosagem do fertilizante deve obedecer para assegurar uma boa produção de cachaça.

O que vale é, esta prática, além de melhorar a qualidade do solo, também gera retorno econômico considerável. Um exemplo: a aplicação do vinhoto na água usada para irrigar a sua plantação de cana diminui, inclusive, o uso de fertilizantes químicos.

Bônus:  O vinhoto também pode ser utilizado para produção de: gás metano, proteínas por fermentação anaeróbia e ração animal (quando tratado para uma concentração a 60º Brix).

      2. Boa preparação do pé-de-cuba + fermentação alcoólica cuidadosa = maior rendimento

Créditos da foto: www.alambiqueflordovale.com.br

Crédito: www.alambiqueflordovale.com.br

Se o produtor tomar os cuidados certos durante o processo de fermentação, o mesmo pé-de-cuba pode ser utilizado durante toda a safra. Para isso, basta alimentar a dorna com o caldo de forma lenta, sempre se atentando à temperatura do processo (28 a 32ºC). Mantenha o ambiente ventilado, e minimize o acesso de pessoas estranhas ao local. Utilize somente caldo fresco – e com o Brix ajustado, e fique atento aos processos de higienização. Por fim, se necessário, lave o fermento com água potável.

Bônus: Além de ser muito útil para a produção de cachaça sustentável, o pé-de-cuba, por ser muito rico em proteínas, também pode ser utilizado tanto na adubação, quanto na alimentação animal.

       3. O álcool e a Cabeça e Cauda da cachaça:

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Ambos podem se tornar álcool combustível através do processo de redestilação. Além disso, também podem ser utilizados para a higienização da indústria que exerce a produção da cachaça.

 

       4. A melhor madeira para envelhecimento de cachaça pode ser do Brasil

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Todo mundo que sabe que uma etapa importantíssima do processo de produção da cachaça é o envelhecimento desta. Também sabemos que uma das madeiras mais famosas para envelhecimento de cachaça é o Carvalho. Porém, ele não é brasileiro. Agora, uma coisa importante a se pensar: a cachaça é brasileira, então, por que a madeira não pode ser também? E pode! A madeira nacional, além de custar mais barato, fornece à cachaça atributos e características únicas, inteiramente brasileiras.  

O Jequitibá-rosa e a Cerejeira (ou Amburana), por exemplo, diminuem a acidez da bebida. No caso da Cerejeira, além de se parecer com o Carvalho, também fornece características sensoriais próprias à bebida recém-destilada, como um sabor mais pronunciado e a coloração mais forte. E sabe o que é melhor? Todas as duas são brasileiras.

Então, para quê importar madeiras, sendo que temos uma variedade riquíssima em nosso próprio país?  Veja algumas das principais madeiras brasileiras utilizadas para o envelhecimento da cachaça:

Araruva (Centrolobium tomentosum), Amendoim (Pterogyne nitens Tul), Cabreúva ou Bálsamo (Mycrocarpus frondosus), Grápia (Apuleia leiocarpa), Castanheira (Bertholletia excelsa) e Ipê-roxo (Tabebuia heptaphylla).

Bônus: O produtor pode pensar, também, em plantar a própria madeira que será utilizada para envelhecer a cachaça. Além de ser uma alternativa ainda mais sustentável, também fica mais barata.

 

      5. Sobre o reaproveitamento de cinzas de caldeira, ou de alambique a fogo direto:

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Também podem ser usadas como adubo de canaviais ou outras culturas. Mas, lembre-se: o excesso pode ser prejudicial às plantas e árvores. Consulte um engenheiro agrônomo para saber a quantidade certa para o seu solo.  

 

     6. E as águas de lavagem da cana e dos vasilhames?

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Até mesmo estas águas podem ser reutilizadas em função da produção de cachaça, e esse dado é importante, uma vez que estamos passando por uma crise de água, principalmente em São Paulo. Enfim, elas podem regar jardins e pomares, e misturadas ao vinhoto para aplicação nos canaviais. Porém, nunca a utilize para regar frutas e legumes e verduras rasteiros.

 

     7. Água de resfriamento e condensado de caldeira: por que mantê-la limpa?

Crédito: Caldeira da fazenda Havana

Crédito: Caldeira da fazenda Havana

Este dado é bastante importante para uma produção de cachaça sustentável, então fique atento. Por não conterem poluentes, elas podem ser armazenadas e reaproveitadas. Em caso de descarte, a temperatura de lançamento em curso d’água deverá ser inferior a 40ºC. Além disso, ela não deve alterar a temperatura do corpo receptor em mais de 3°C.

 

8. Ponta/palmito e folhas da cana-de-açúcar: para que servem?

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Podem ser utilizados na alimentação de bovinos, ovinos, caprinos e equinos. Nesse caso, o material, ainda verde, deve ser picado pelo triturador e colocado diretamente nos cochos.

Bônus: outra forma de aproveitamento é a silagem (conservação de forragem para alimentação animal baseado na fermentação láctica da matéria vegetal) desses resíduos, podendo ser utilizada durante o inverno como alternativa à pouca oferta de alimentos aos animais.

 

   9. O bagaço e bagacilho da cana-de-açúcar têm mil e uma utilidades:

Crédito: http://www.pbase.com/teresa_vilhena/image/52310749

Crédito: http://www.pbase.com/teresa_vilhena/image/52310749

São um dos resíduos mais obtidos pelo setor agroindustrial. Mas a boa notícia é que eles também podem ser reaproveitados!

Alguns produtores os utilizam como combustível nas caldeiras e alambiques de fogo direto. Por mais que este tópico também seja uma alternativa sustentável ao seu alambique, lembre-se de obter controle rigoroso para não provocar fumaça em excesso. Além disso, a queima a céu aberto é proibida.

Bônus: as cinzas desta queima são compostas por silício e potássio, podendo assim, ser empregadas como fertilizante químico nas lavouras. Após a compostagem com outros resíduos orgânicos da fazenda, também podem ser usados para adubação de canaviais ou outras culturas.

Agora, uma outra alternativa que, por sinal, não utiliza da queima, é usar o bagaço da cana na alimentação animal, principalmente em períodos de estiagem forrageira, já que a produção é alta e o custo, baixo. Porém, lembre-se de que este resíduo pode estar  desbalanceado de nutrientes, exigindo análises e correções.

 

   10. As Garrafas inutilizadas, rótulos e tampas têm solução?

garrafas

Esta é fácil para uma produção de cachaça sustentável. Todos estes itens podem ser reciclados. Logo, organize uma coleta seletiva, de preferência em local coberto e com bastante atenção, para evitar a propagação dos mosquitos transmissores da Dengue e, agora, Zika vírus e Chikungunya (Aëdes aegypti e Aëdes albopictusa).

Bônus: E as embalagens de produtos agrotóxicos?

Calma que tem jeito. Apesar da cautela ser necessária, devido ao material destas embalagens, até esta etapa pode utilizar técnicas de reaproveitamento. 

As embalagens vazias devem ser lavadas de acordo com procedimentos denominados de “tríplice lavagem”, que consistem em:

– esvaziar completamente o conteúdo da embalagem no tanque do pulverizador

– adicionar água limpa à embalagem até ¼ do seu volume;

– tampar bem a embalagem e agitar por 30 segundos;

– despejar a água de lavagem no tanque do pulverizador;

– repetir estes procedimentos três vezes.

Após este procedimento, o produtor deve devolver as embalagens. Para isso, existe o Sistema Campo Limpo, gerenciado pelo Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV). A instituição têm o dever, estabelecido por lei, de promover a destinação correta destas embalagens. O sistema funciona assim: os produtores rurais devem ficar atentos à nota fiscal do produto ao adquiri-lo. Nela, estará sinalizado o local de devolução da embalagem. Assim, o comprador deve se responsabilizar pela lavagem e inutilização das embalagens pós-consumo para, então, enviá-las às unidades de recebimento. De lá, as embalagens seguem para seu destino final, que pode ser a incineração ou a reciclagem. Para mais informações, acesse aqui o site da inpEV.

Mas ainda não acaba aqui. Tem mais coisa boa pela frente! Sabe a água que você utilizou para a tríplice lavagem? Então, ela pode ser utilizada na lavoura, desde que recolhida ao tanque de pulverização.

 

 

Enfim, com estas dicas, você estará a mais um passo de otimizar ainda mais sua produção de cachaça e, é claro, se tornar um produtor cada vez mais responsável ecologicamente. Até a próxima!    

 

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